Então ele acorda e descobre que ela não é a mulher da sua vida, que o encanto terminou, que tudo foi apenas um lamentável engano, que apesar dos bons momentos passados juntos, foram apenas bons momentos, nada além disso, nenhum futuro à vista.

Sentindo o peso da aliança, ele vislumbra que o tempo acaba com qualquer relação e que a rotina é um saco. Olhando para ela dormindo, corpo nu estirado na cama, percebe imperfeições antes não notadas, uma gordurinha ali, uma celulitizinha acolá, e nota que os peitos dela não são tão firmes, nem o cabelo tão sedoso. Entende que de manhã, cabeça fresca, as coisas são mais claras do que de noite, 5 doses de uísque depois. E suspira.

E descobre que a relação acabou mesmo. E que agora é contar para ela, é só descobrir como… e quando. E começa um autointerrogatório. Será que existe um momento certo? Será que deveria esperar uma oportunidade? Será que é bom comprar um presente antes? Será melhor dizer tudo agora mesmo?

Sim. Na lata, sem rodeios, nem desculpas esfarrapadas. Mas terá coragem?

Nesse dilema, ouve o celular tocar e uma voz do outro lado, histérica:

— Onde você está? Você tem mulher, sabia?? Onde passou a noite??? Com quem???? Seu desgrrr…

Afasta o telefone do ouvido e, ato contínuo, desliga. Mulher da sua vida? Ah, deve existir sim, ele só não sabe onde. Tudo bem, calma, um dia ele acha. Afinal, o gostoso de tudo isso é que a procura continua.

Veste a roupa em silêncio e sai sem se despedir. Com um sorriso nos lábios, descobre que o seu coração se mantém firme e forte, envolto em esperança.

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