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Raul Otuzi

ideias que inspiram

mês

setembro 2012

Roteiro comercial TV: Nova Schin

PRAIA, DIA.

Vemos quatro amigos curtindo a praia e tomando sol, sentados em cadeiras, em um dia quente.

Então um dos amigos diz:

-Solzão! – Amigo 3 falando.

– Aí, rapá. – o amigo 4 passa  uma cerveja Nova Shin ao amigo.

– Cervejão! – o amigo 1 completa.

– Eu não vou sair daqui é nunca mais! – Diz o amigo 4.

– Nunca mais! – os quatro pronunciam juntos.

Faz sol, chuva, venta forte. A barba deles crescem, subtendendo o passar de um bom tempo. Escurece, troveja e suas barbas ficam mais longas. Eles envelhecem sentados nas mesmas cadeiras de praia, mas sempre segurando uma lata de cerveja. Após a passagem do tempo, somos surpreendidos: os amigos viraram caveiras, com vida, pois mesmo após a morte eles continuam a tomar a cerveja Nova Schin. É quando um dos amigos, em caveira, vê uma mulher saindo do mar e diz a outro amigo:

– Ô brother, olha só que gata!

– Iiii, só pele e osso. – Ele tira o óculos para ver e responde o amigo sem o maior interesse de sair de onde está, nem mesmo por uma mulher bonita.

E todos caem na gargalhada.

Assina e encerra com o letreiro:

ÃO ÃO ÃO. NOVASCHIN, UM CERVEJÃO.

BEBA COM MODERAÇÃO.

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Quanto mais idiota melhor

(ou a cultura do entretenimento vulgar)

Vivemos uma época de idiotização total do ser humano. Nenhum de nós (ou quase) quer ter o trabalho de pensar. Discutir, para quê? Debater, jamais! Todos nós só queremos curtir.

Assim rejeitamos toda forma de suor intelectual, de esforço mental, de diálogo útil em prol da zoeira e da felicidade. Porque ser feliz é o que vale na vida. Então todos nós somos piadistas, humoristas do cotidiano, principalmente nas redes sociais.

Os nossos comentários são sempre curtos e, na maioria das vezes, têm o objetivo de levar alegria aos olhos e ouvidos dos nossos amigos. É que temos que ser bacanas. Temos que mostrar ao mundo que somos pessoas de bem com a vida. Temos que aparentar que somos engraçados de verdade.

Se não, estamos fora do eixo. Somos excluídos, sofremos bullying. Bullying! Hahahahahahahahahahahhahahahahaha. Hashashashashashashashashas. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk… Rsrsrrsrsrsrsrssrrsrsrsrsrsrsrsrs.

É a cultura do riso fácil, imediato, instantâneo, acima de qualquer coisa. Basta rir e tudo está bem. Nada contra o bom humor, claro. Não sou um ranzinza inveterado. Eu adoro rir, quem não gosta? Mas não precisamos ser tão superficiais a todo momento. O riso alivia e acalma, mas em excesso, anestesia. É letárgico.

Daí nós não nos importamos com mais nada. Não estamos nem aí para as eleições municipais ou para o mensalão. Não ligamos que nos façam de tontos proibindo e depois voltando com as sacolinhas nos supermercados. Lei da Cidade Limpa em Ribeirão? Hahahahaha. Piada. É melhor rir. Mesmo?

As músicas monossilábicas, onomatopaicas proliferam-se como pragas em ambientes assim. “Galera, sem essa de se preocupar, vamos é se [sic] divertir. Eu quero tchu, eu quero tcha e … tchê tcherere tchê tchê tchê tchê.”

E viva o entretenimento! En-tre-te-ni-men-to. Palavra da moda, cultuada e perseguida por empresas e gente de carne e osso. Mas peraí, você sabe o que é entreter? Em boa parte, entreter significa distrair, recrear, fazer passar o tempo. Ou seja, se você entretém alguém não faz nada demais. Afinal, qualquer um, qualquer coisa pode entreter.  De uma mosca sem asas a uma bolinha de papel. De um palhaço sem graça a um plástico bolha.

Entreter por entreter é pobre, raso demais. Aliás, esse mundo está raso demais. Mini demais. Nossos pensamentos não podem ter mais do que 144 caracteres, nossas frases têm que ser diretas e objetivas. Uma linha apenas, duas no máximo. Caso contrário, ninguém tem paciência para acompanhar e o raciocínio se perde. O cérebro não processa. Entendeu?

Não? Espera um momento que vou desenhar, vou grunhir. Argh!

Que mundo raso! Ou como diria Nelson Rodrigues: “…tão profundo que uma formiga atravessaria com água pelos tornozelos”. Ou em outras palavras, bem simples: quanto mais idiota melhor.

O que é propaganda integrada?

Além do conteúdo, vale pelo formato/animação.

Como é o seu processo criativo?

Quais as semelhanças e diferenças entre criar uma peça artística e uma peça publicitária? Assista e confira. Quem trabalha com criatividade vai se identificar com conteúdo deste vídeo.

Roteiro comercial TV: Ipiranga

FRENTE DE CASA, DIA.

Pai está polindo o carro, quando chega a filha de 20 e poucos anos chorando.

Ele quer saber o que está acontecendo. Aborda a menina: – Filha!

Ela se explica, ainda em soluços: – Pai, o Tony me chamou de Maria Gasolina.

Após breve silêncio, o pai: “Comum ou original aditivada?”

A filha sai chorando mais ainda. Ele: – Filha, eu só quero o melhor pra você.

Corta para cenas do posto, mostrando gasolina, atendimento, locutor in off:

“BRASILEIRO É APAIXONADO POR CARRO. E APAIXONADO POR CARRO SÓ USA GASOLINA ORIGINAL ADITIVADA DOS POSTOS IPIRANGA. AGORA EM 3X SEM JUROS. IPIRANGA. APAIXONADOS POR CARRO COMO TODO BRASILEIRO.

Roteiro spot 30″: Skol – Invenções

Mais uma peça sensacional da campanha Invenções. Clique no link para ouvir:

Despertador

Agência: F/nazca Saatchi & Saatchi    Cliente: Skol

Locução masculina (jovem e descontraída): Se o cara que inventou o despertador bebesse Skol, ele não seria assim.

Efeito sonoro: som de alarme chato. Pipipi, pipipi, pipipi!

Rapaz solta um grunhido e reclama: Saco!

Volta locução masculina: Seria assim.

Efeito sonoro: fita voltando.

Voz feminina (delicada e sensual): Pipipi. Pipipi. Pipipi. Psiu, acorda amor, tá na hora.

Tá bom, pode dormir mais cinco minutinhos. Pipipi, pipi…

Efeito sonoro: som de tapa.

Voz feminina (delicada e sensual): Ai, não bate na minha cabeça!

Vinheta musical: Redondo, redondo, redondo, com Skol tudo fica redondo.

Volta locutor: Se beber, não dirija

Roteiro spot 30″ : Village – não embaça

Cliente: Village Motel  Campanha: Estudante Village  Peça: Spot 30”                     Título: Não Embaça Agência: Abelha Rainha

Ele (todo empostado, contando vantagem): Ó, e tem mais: banco de couro. Ar-condicionado. CD player. Computador de bordo. Insulfilm. Tração 4X4…

Ela (dando corte): Não, Orladinho! Eu já disse que no carro não rola.

Locução masculina: Cara, não embaça. Em abril, de segunda a quinta, estudante tem 50% de desconto. Estudante paga meia no Village. Ligue: 36260036 ou acesse villagemotel.com.br. Village motel. Viva esse momento.

Ele: Ahh, amor, mas tem até airbag…

Roteiro comercial TV. Astra.

ESTRADA, DIA.
Vemos cenas do Astra em movimento, cenas típicas de demonstração de comerciais de carro.
Locutor:
“QUANDO VOCÊ DIRIGE UM ASTRA, A POTÊNCIA DE UM FLEXPOWER 2.0 É TODA SUA. DENTRO DELE VOCÊ SENTE QUE TEM O CONTROLE DE TUDO.

Então o carro pára perto de uma tenda, onde lemos: “TEST DRIVE TOTAL CHEVROLET”. Há um vendedor ali. Ele pergunta para o motorista que acaba de sair do carro:
– E aí gostou da performance?

Nesse momento o futuro comprador mostra toda a sua empolgação pelo carro, descrevendo-o com palavrões que são censurados pelo famoso efeito sonoro: “PIIIIIIIIII”:
Esse carro é do ca… (PIIIIIIIIII). O motor é do cara… (PIIIIIIIIII). Tem uma estabilidade filha da pu… (PIIIIIIIIII).

Mais calmo, ele consegue perguntar:
– Quanto custa esse carro?
O vendedor:
– Sai a partir de R$ 43. 499,00
Ao ser revelado o preço, o rapaz se empolga de novo, e com mais intensidade:
– Eu vou comprar esse carro, porr… (PIIIIIIIIII).

É a deixa perfeita para o locutor finalizar:
BEM, O CONTROLE DE QUASE TUDO.

Assina e encerra: “ASTRA. A TENTAÇÃO É FORTE.”

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