mulher chorando

Não dá pra falar que ama uma mulher, se você nunca viu o choro dela. Mas choro de felicidade não vale, não tem graça nenhuma. A expressão no rosto dela pouca muda. O que vale de verdade é quando o choro é doído.

Só depois de ver uma mulher chorando é que você pode dizer com todas as letras, sem medo de errar, eu te amo. Antes nunca. Para não correr o risco de ser chamado de mentiroso. Ou canalha. Ou mero aproveitador.

Eu, por exemplo, na minha vida de solteiro cometi vários desses deslizes. Dizia eu te amo antes de contemplar as lágrimas de minha pretensa amada caindo. Quanta decepção! Tem mulher que chora tão feio, mas tão feio que dá vontade de chorar junto. É um berreiro, um escândalo, um abrir de boca que dá medo.

Em contrapartida, tem mulher que chora com tanta delicadeza que desperta uma tremenda ternura masculina. O desejo, nesses casos, é outro: é um querer cuidar, proteger e botar no colo. Enxugar seu rosto com o próprio rosto ou delicadamente com o polegar, ao som de beijos doces e palavras de incentivo. Como gritos de guerra de uma torcida organizada:
— Não chora. Não chora.
Ou:
— Chora, meu bem. Pode desabafar, faz bem.

Por isso, só diga eu te amo depois de ter apreciado o choro feminino. Só quando vê uma mulher chorando é que você pode medir o quanto liga para a dor dela. E, principalmente, o quanto ela continua bonita.

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