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Raul Otuzi

ideias que inspiram

mês

dezembro 2016

APELOU, GANHOU (ou quanto mais polêmica, melhor)

Havia uma frase recorrente usada em minha turma de amigos: “apelou, perdeu a razão.” Era uma maneira de tentar evitar explosões de mágoas e encerrar discussões diante de nossas brincadeiras (algumas de gosto duvidoso sim, diga-se de passagem).

Hoje, com as redes sociais, as opiniões polarizadas e os ânimos exacerbados, essa frase está perdendo o sentido. A regra, principalmente para quem quer ganhar holofotes, é apelar à vontade. Porque quem apela ganha visibilidade. Então, a ordem é gerar polêmica. Seja para marcas, artistas ou pessoas.

Veja o caso da Alezzia, a empresa de móveis acusada de machista, que apelou para uma promoção prometendo cadeiras de rodas para a ACCD se fosse bem avaliada no facebook. Veja o caso do clipe de Clarice Falcão, que utilizou corpos nus em seu videoclipe.

Como temos grupos de pensamentos contrários e um aparato bem montado de patrulha ideológica, qualquer movimento mais brusco provoca uma onda de ataques enviesados, de lado a lado.

São feministas X machistas, esquerda X direita, veganos X carnívoros, ateus X religiosos, conservadores X progressistas, ilusionistas X realistas, opressores X libertários e por aí vai.

É, meus amigos, quem apela… ganha. Ganha publicidade gratuita, ganha luzes, vira trending topic. E se é para ganhar fama, vale tudo. Vale inclusive dançar homem com homem e mulher com mulher (tô fazendo referência à música do Tim, hein, nada contra, peloamor).

Ah, e vale mais, vale até lançar a chocofritas, a batata frita com cobertura de ovomaltine. Gosto duvidoso? Imagina. É só pra criar uma polemicazinha… hehe.

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Pizza de Dois Queijos com Bacon & Berinjela com Muçarela

A base foi massa caseira com molho de tomate.

De um lado: provolone, gorgonzola e bacon.

Do outro lado: berinjela aos cubos assada com especiarias, tomate cereja, folhas de manjericão e muçarela ralada.

Regue com um fio de azeite extra-virgem. Sirva com cerveja gelada.

Não seja refém do facebook

Você não precisa consultar a sua página de minuto em minuto. Não precisa atualizá-la toda hora. Nem todo dia. Você não será uma pessoa melhor ou pior pela quantidade de likes que seu post tem. Também não precisa se tornar um compulsivo, checando quantos compartilhamentos sua mensagem gerou. Alguns comentários são negativos? Ótimo. Separe os que têm opinião contrária, mas que são relevantes e tente aprender algo com eles. Os que simplesmente vociferam contra você, sem um mínimo de bom senso, delete-os. Ao menos da sua mente. Tem gente que só quer ser do contra e causar para aparecer. Não dê IBOPE para eles.

E não chegue em casa ou no restaurante ou no boteco da esquina ou na faculdade e fique com o celular sempre à mão. Deixe o wi-fi em paz. Não vire um corcunda, com a cabeça sempre baixa, um ermitão tecnológico, alheio às pessoas, cores, luzes e sons do ambiente. Tem tanta coisa boa para ser sentida e absorvida de verdade!

Não tire fotos de tudo. Não exiba sua vida como se fosse uma subcelebridade carente precisando de holofotes. Quer se expressar? Muito bom. Mas não faça disso o que há de mais importante na face da Terra. Aproveite o vento na cara. Olhe nos olhos das pessoas. Tem gente que ainda gosta disso, sabia? Aliás, tem gente que precisa disso. Calor humano.

Ah! E, principalmente, não deixe que a sua timeline seja a sua principal fonte de contato com o mundo. Não receba as notícias, atualizações e conteúdo de forma passiva. Seja o próprio curador do que lhe interessa. Busque as informações de acordo com suas aspirações e motivações. Não consuma apenas o que cai em seu colo, na ponta de seus dedos. Isso é tão cômodo e tão pobre!

Que o facebook tem um montão de coisa bacana ninguém duvida. Entretanto do jeito que está sendo usado, com tanto exagero, está passando como um trator por cima de nosso dia a dia. Por isso tome as rédeas dos acontecimentos, não deixe que eles rolem simplesmente pela sua tela, faça parte. Largue o vício. Use o facebook com parcimônia.

Se eu consigo fazer tudo isso? Bem, estou a caminho. Consciente e tentando bonito. A minha vida, minha inteligência e meus cães têm agradecido. Muito.

Cenas de um casal publicitário: ou qualquer outros nas galáxias

Meu primeiro romance retrata o relacionamento conturbado, mas bem-humorado entre Lauro e Lidiane. Ele, redator, 28 anos. Ela, diretora de arte, 25. Namorados desde a faculdade, eles são bem diferentes. Ambiciosa e com personalidade forte, ela sonha em ganhar Cannes, o festival publicitário mais famoso do mundo. Imaturo e preguiçoso, ele não sabe direito o que quer. De família rica, oscila entre a publicidade, a música e a poesia.

Quem trabalha ou trabalhou em agência vai rir, chorar e se emocionar. E quem não trabalhou vai encontrar uma história de opostos que se atraem muito além do clichê.

TOP 5 – os melhores filmes que vi em 2016

TOP 5 FILMES
Os cinco melhores filmes que vi em 2016

Nesse ano, eu vi pelo menos uns 50 filmes. A grande maioria no Netflix, claro. Taí a minha seleção dos melhores. Sei lá, vai que interessa a alguém…rs.

TOP 5
“A Caça” de Thomas Vinterberg
Uma garota de 5 anos e filha do melhor amigo de Lucas, o ator principal, inventa que foi abusada por ele. Rapaz, é tenso. O cara é um educador ainda por cima. O que você acha que acontece com a reputação dele?

TOP 4
“Clube de compras Dallas” de Jean-Marc Vallée
Matthew McConaughey destrói nesse filme. Que atuação. Ele faz um usuário de drogas heterossexual e homofóbico, que é diagnosticado com aids. À beira da morte, ele corre atrás de medicamentos alternativos e luta contra a indústria farmacêutica. Dá pra ficar puto.

TOP 3
“A Grande Aposta” de Adam McKay
Esse é de 2016, comecinho do ano. Levou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, contando o que levou ao estouro da bolha imobiliária americana em 2005. O filme mostra quatro personagens que conseguem prever a crise, e o meu destaque vai para a personagem de Christian Bale. Excêntrico. É uma narrativa instigante.

TOP 2
“Um Conto Chinês” de Sebastián Borensztein
Imagine um chinês caindo de paraquedas (não literalmente) em Buenos Aires, sem saber nadica de nada da língua local. Pois é. Perdido é pouco. Ainda mais quando o destino o coloca frente à frente de um comerciante ácido e mal-humorado. Esse é o ponto de partida de uma história que se apresenta despretensiosa, mas que é contada com delicadeza. É cinema argentino. É mais um filme que tem o ótimo ator Ricardo Darín. Assista.

TOP 1
“Deus da Carnificina” de Roman Polanski
Foi o meu filme preferido porque tem diálogos explosivos, corrosivos, reveladores. É baseado na peça homônima da francesa Yasmina Reza, e parece uma peça de teatro mesmo. A diferença é que a câmera dita o ritmo da narrativa, produzindo momentos de pura obra-prima cinematográfica. Não tem grandes locações, mudanças de cenários, efeitos especiais. O que tem então? Tem pessoas reais, se debatendo com seus dramas psicológicos, crises de sinceridade, arrependimento, culpas e desculpas. As atuações de Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly são soberbas. Não é um filme que agrada muitos, mas simplesmente me atingiu em cheio.

TOP 5 – os melhores livros que li em 2016

TOP 5 LIVROS
Os cinco melhores livros que li em 2016

TOP 5
“1Q84” DE HARUKI MURAKAMI
É uma trilogia, do badalado escritor japonês Haruki Murakami.
O autor lança mão de mundos paralelos, grupos religiosos e seres fantásticos para criar um clima de suspense, que fisga o leitor. Os parágrafos curtos, as metáforas inteligentes e as citações bem colocadas de outros autores ajudam a devorar as mais de 1.200 páginas. O desfecho, porém, deixa a desejar. Se vale a leitura? Vale. Mas vale pela viagem, não pelo destino.

TOP 4
“A VIDA PRIVADA DAS ÁRVORES” DE ALEJANDRO ZAMBRA
O segundo livro do escritor chileno é um exercício de imaginação provocado pelo ato de esperar. É um romance curto, que vale pela delicadeza, simplicidade e pela mensagem: “ninguém consegue viver sem exagerar um pouco”.

TOP3
“SENHOR DAS MOSCAS” DE WiLLIAM GOLDING
Considerado um dos romances obrigatórios da literatura mundial, possui uma narrativa viva, que flui e eletriza, o enredo expõe medos, fragilidades e deixa uma pergunta seca no ar: até que ponto o poder corrompe a inocência?A resposta talvez esteja nessa frase da Wikipedia: “Senhor das Moscas representa o mal escondido no coração de todos nós.” Resumindo: leia.

TOP2
“A VISITA CRUEL DO TEMPO” DE JENNIFER EGAN
Inicialmente o livro me chamou a atenção pelo título. Verdadeiro e poético. Depois, meu interesse aumentou quando vi que tinha levado o Prêmio Pulitzer de 2011. Se você gosta de histórias contadas do modo convencional, com protagonistas, começo, meio e fim, então vai estranhar o livro. Mas é um estranhamento bom, que apresenta um jeito novo de narrar, uma espécie de caleidoscópio da vida, com recortes, memórias e vozes distintas. Todos nós, mais ou menos no mesmo plano. Perca um tempo e leia. Ou ganhe. Você só vai saber, lendo.

TOP1
“O FILHO ETERNO” DE CRISTOVÃO TEZZA
Um livro autobiográfico, que delata a relação do autor com o seu filho que possui síndrome de Down. Escrita em terceira pessoa, a história é reveladora, angustiante, crua. Cristovão Tezza não mede as palavras para descrever sua decepção e vergonha com o nascimento de um filho com deficiência. Com extrema transparência e (in) sensibilidade, Tezza costura os sentimentos que experimenta e as situações vividas. Expõe suas fraquezas e mesquinharias com lente de aumento. Sim, não tenho dúvidas, escrever em terceira pessoa foi a alforria que o autor precisava para tanta sinceridade, foi o que possibilitou o distanciamento para se enxergar sem maquiagem.“Ele pensa em Nietzche e no horror da misericórdia, a humilhação como valor, a humildade como causa, a miséria como grandeza. Pois o seu filho, confirmada a tragédia, nem mesmo a esse ponto (ele olha em torno) chegará, porque não terá cérebro suficiente para inventar um deus que o ampare e não terá linguagem para pedir um favor.”
É um livro cativante. Obrigatório. Não é à toa que ganhou inúmeros prêmios. Não é à toa que sou fã de Tezza.

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