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Raul Otuzi

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Entrevista com Vinícius Fernandes – um dos criativos da campanha Speaking Exchange da CNA

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1. Como foi o processo de criação da premiadíssima campanha Speaking Exchange da CNA? Desde a chegada do briefing, por favor. Quando criamos o Speaking Exchange, o CNA tinha como conceito de marca: “CNA. Você gosta. Você aprende.” Então, tudo que tivesse dentro desse universo seria bem-vindo. E como Pedro Gravena (Diretor de Criação da FCB) sempre diz: somos gestores de marca, temos que pensar além do briefing. E foi isso que fizemos, pensamos qual seria a melhor maneira de retratar esse conceito e então chegamos na ideia de colocar os alunos do CNA para praticar inglês com idosos americanos que vivem em casas de repouso.

Relembre: 

 Direção de criação: Joanna Monteiro, Max Geraldo e Pedro Gravena                      Criação: Vinícius Fernandes, Bruno Mazzotti, Daniel Alves e Mauricio Bina

2. Como é a rotina da criação dentro da agência? O que é mais motivador nesse dia a dia? Eu diria que muito menos glamourosa do que se imagina. Numa agência de publicidade se trabalha muito. É cansativo, mas muito divertido. O que me motiva é o prazer de criar. Gosto do que faço. O desafio de criar por si só já é bastante estimulante pra mim.

3. Existe alguma mania, método, mantra que você evoca para criar?Não tenho método, mania, mantra nem cacoete. (risos) O que sempre tento fazer é achar um insight verdadeiro para a marca. Depois, tento transformar isso num conceito e por fim numa campanha.

4. Fale de algum hobby que você tem, e de como ele te ajuda a criar. Quando surge uma trava criativa, o que você faz? Eu treino jiu-jitsu e faço academia. Isso não me ajuda diretamente com as ideias, mas me ajuda a sair um pouco do mundo da propaganda e ver as coisas como realmente são. E isso, sim, ajuda bastante na hora de criar.

5. Cite uma campanha que você gostaria de ter criado. Por quê? Pra citar uma atual: “Sorry, I spent it on myself.” Acho que é um pouco do que a gente precisa hoje em dia: se levar um pouco menos a sério. Além disso, essa campanha traz um argumento maldoso que me agrada muito.

6. Os medalhões todo mundo conhece, por isso cite alguns profissionais de criação da nova geração que você admira. Eu poderia citar muitos nomes, mas vou me restringir a um: João Eduardo Nogueira, Redator da Africa Zero. Esse cara tem um pensamento original, desformatado. É apaixonado pelo texto. É a persistência em pessoa. Além de ser um dos redatores mais talentosos que já tive a oportunidade de trabalhar.

7. Hoje para uma campanha funcionar tem que ser pensada ‘digitalmente’?Acho que qualquer campanha tem de ser pensada para pessoas, não para mídias. Ela tem que funcionar onde as pessoas estiverem. Seja no celular ou em Marte.

8. Se pudesse mudar qualquer coisa na propaganda, o que seria? Eu gostaria que a ideia voltasse a ser a protagonista da história.

9. Dê um conselho que vai mudar a vida de quem está começando.Não desista. Veja o vídeo do Rocky Balboa no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=5JAHAFvcr2o , respire fundo e siga em frente.

10. Job para você: como você gostaria de ser lembrado? Crie uma frase para ser colocada em sua lápide. Olha, não estou pensando em morrer por enquanto. (risos) Mas acho que seria legal ser lembrado, acima de tudo, como um cara do bem.

11. Espaço livre: diga qualquer coisa, sobre qualquer assunto que você acha importante e que eu não perguntei. Quando ainda trabalhava em Salvador e sonhava em vir pra São Paulo, mandei um e-mail com a minha pasta para André Kassú. Ele, educadamente, respondeu e comentou peça por peça. No fim, ele disse: “Faça mais, mais e mais. Não tem outro segredo.” Acho que é isso. Obrigado.

 

Entrevista com André Godoi – na época redator da Giovanni

André Godoi

Fiz essa entrevista em maio de 2006 para meu blog ehduca. Estou revivendo esse bate-papo porque continua muito atual. Na época, André Godói já era redator de sucesso, hoje passados quase 10 anos ele é sócio-diretor da Prodigo Films, depois de ter passado pela Almap e criado a premiada campanha: “Até onde vai a sua criatividade?”

  1. Para começar, conta um pouco como você começou na carreira. Quando descobriu a vocação para a criação? Conhece o Rodrigo Leão? Pois é, em janeiro de 2000, essa figura, diretor de criação da Propaganda Registrada, me ofereceu um estágio como redator.

– Mas, Rodrigo, eu sou atendimento do Magazine Luiza.

– Quando você começa?

– Dia 5.

Nunca tinha pensado em trabalhar na criação. Sério, não fazia a menor idéia de como se criava um anúncio. Talvez exatamente por isso ele tenha me dado a vaga. O certo seria chamar um estagiário ninja com um portfólio fodão debaixo do braço. Mas o Rodrigo deve ter pensado: “- Já tiveram essa idéia.” Não acredito muito nesse troço de vocação.

  1. Você não fez faculdade de publicidade e mesmo assim é um profissional de sucesso. O que você tem a dizer a respeito disso? Ninguém aprende a criar numa sala fechada com um professor cagando regras na sua frente. Você até aprende muita coisa útil. Mas nada que um bom livro de propaganda não entregue também. Eu cursei economia e administração de empresas simplesmente por não fazer idéia do que eu realmente queria fazer da vida. No final das contas, a minha escola de verdade aconteceu do lado de fora do campus. Dentro da República Aurora (meu lar na época da faculdade), no bar em que eu era DJ (e garçom às vezes), no grupo de teatro e nas tantas roubadas que a gente se mete na vida. Não existe um método para criar. A palavra método não orna com criatividade. O que existe é uma postura criativa. Você só precisa de muita curiosidade, tesão e meia dúzia de neurônios.
  1. Criação para varejo. Qual a sua experiência e opinião sobre o assunto? Na Registrada, o job mais mico era uma conta de varejo: concessionária de carros. O cliente era tosco, não tinha prazo e ninguém queria fazer. Ótimo. Ninguém quer? Eu quero. Me dá aqui. Todos. Resultado: o meu estágio acabou e se transformou em emprego. Fazer varejo é ducaralho. É dinâmico. Você cria e amanhã tá na rua. Você está o tempo todo aprendendo e se desafiando para criar algo realmente novo e relevante para o consumidor. A gente faz muito varejo aqui na Giovanni: Fiat, Intelig Telecom, Submarino, Disney. E os jobs de varejo são tratados com o mesmo carinho que os institucionais. Anúncio criativo da Nike, você vê em qualquer pasta de estudante. Agora, campanha do Supermercado Cavalinho boa, criativa e com resultado de vendas… aí não é pra qualquer pançudo.
  1. Como é a rotina da criação dentro da agência? O que é mais motivador nesse dia a dia? Obrigado por usar a palavra rotina na pergunta. A rotina é a inimiga número 1 da criatividade. Rotina nos incentiva a ligar o automático e deixar a inércia fazer o serviço. Infelizmente, ainda não temos um modelo de agência no Brasil que tenha questionado isso. O mundo está na era da criatividade, e as agências brasileiras na era industrial, da linha de montagem fordiana. Temos que parar de grampear o briefing naquele maldito envelope pardo. Eu até hoje não entendi essa merda. Os donos de agência derrubaram as paredes dos escritórios, mas esqueceram de arrancar a burocracia de lá. E digo mais, só derrubaram as paredes por um único motivo: ficou mais barato. O que mais me motiva nesse dia-a-dia? É saber que os meus diretores de criação têm a mesma opinião que a minha sobre este assunto.
  1. Existe alguma mania, método, mantra que você evoca para criar? Gosto muito do silêncio nessas horas. Com intervalos de muito barulho para relaxar.
  1. Fale de algum hobby que você tem, e de como ele te ajuda a criar. Quando surge uma trava criativa, o que você faz? Tá. Vou citar duas atividades que têm feito um bem danado pra mim: ioga e teatro. Na verdade, tudo o que a gente faz para se desligar do dia-a-dia, ajuda no processo criativo. Hobby, hobby mesmo, eu não tenho nenhum. Não coleciono selos, moedas, bonecos de chumbo e não tenho a menor aptidão para montar aviõezinhos da 2ª Guerra. Em relação à trava criativa, varia muito. Teve um caso clássico na Registrada em que o desespero me levou à padoca da esquina. Sim, eu tomei um rabo-de-galo às 9 da manhã. Não adiantou nada. Só me deu uma baita azia.
  1. Cite uma campanha que você gostaria de ter criado. Por quê?Queria ter feito a campanha “Não é nenhuma Brastemp”. Dispensa qualquer explicação.
  1. TV, rádio, revista, jornal, mídia exterior… Para qual meio você prefere criar. Por quê? Títulos. Cada título é um raciocínio diferente. Cada título é uma idéia nova. Faço títulos mesmo se o job for de filme, rádio, pdv, internet ou cartão de aniversário.

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  1. E o “no advertising”, qual a sua relação e envolvimento com internet, promoção, marketing direto, endomarketing? O formato pouco importa. O foco está na idéia, na criação. Depois você dá o formato que quiser. Se é advertising, no advertising, internet, promoção, below-the-line, underwear’s manager, zembers planejators, deixei de saber. Esses nomezinhos só servem para vender livro de auto-ajuda empresarial.
  1. Dê um conselho que vai mudar a vida de quem está começando. Se você não está se divertindo no trabalho, mude de trabalho.
  1. Job para você: como você gostaria de ser lembrado? Crie uma frase para ser colocada em sua lápide. Job? Quero mais prazo. No mínimo, mais uns 70 anos.
  1. Espaço livre: diga qualquer coisa, sobre qualquer assunto que você acha importante e que nós não perguntamos. Não confunda politicamente correto com politicamente pentelho. Os chatos estão querendo descontar suas frustrações sexuais em nós. Fio-terra neles. (Espero que o Procon não me processe por causa desta declaração.)

Campanha Criada por André Godói.

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