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10 frases que viraram anúncios. Ou vice-versa.

Como fazer grandes títulos para anúncios publicitários? Do livro: “É só propaganda,” de Ercílio Trajan.

Entre o mar e a montanha, o melhor é ficar entre o mar e a montanha.
Hotel Montmar – Itanhaém

Sabe o que fazia Einstein, Freud e Thomas Edson serem mais inteligentes que nós? O software deles.
Olivetti

A sociedade pode ser anônima. Você não.
Camisa Wolens

Felizmente, nem tudo termina em pizza.
Esplanada Grill

Você pode mudar sua vida do vinho pra água.
Alcoólicos Anônimos

O tempo só corre a favor dos vinhos.
ItauPrev

Eu odeio oligopólios. E quando souber o que é isso vou odiar mais ainda.
Jornal O Estado de São Paulo

Conversível é um carro que queria ser moto.
Honda

Nossos consumidores costumam enferrujar antes dos nossos calçados.
Timberland

Ele era apaixonado por psicanálise. Mesmo sendo o pai dela.
Freud no Masp

As etapas do discurso deliberativo, segundo Aristóteles – parte II

citi-seu filho

Mais um exemplo das etapas do discurso deliberativo, de acordo com o esquema aristotélico:

1. EXÓRDIO. Para despertar o interesse, simpatia, o anúncio mostra preocupação com o filho do leitor. Mergulha no dia-a-dia corrido do homem moderno, que em busca de dinheiro fica sem tempo para nada, inclusive para jogar bola com o filho. Título: “Seu filho também não gosta quando o craque favorito dele só pensa em dinheiro.”

2. NARRAÇÃO. Nesse momento de discorrer sobre a idéia central do anúncio, eles afirmaram com propriedade: “Dinheiro é ótimo. Mas não pode monopolizar seu tempo, porque existem várias outras coisas ótimas à sua espera.”

3. PROVAS. Para provar que a afirmação é verídica, motivo de concordância e que eles estão do lado do cliente, mostraram seus atributos: “Por isso, quando você precisa de nós, fazemos tudo para resolver, pessoalmente ou pelo Citiphone Banking e terminais 24 horas no Brasil e no exterior.”

4. PERORAÇÃO. Na última fase, na hora de realmente ganhar o cliente, eles concluiram o raciocínio com ênfase: “Assim seu tempo rende e sua vida idem.” Depois de mostrarem-se desejados, chamaram para a ação: “Para ser cliente Citibank, ligue: 0800-727-2484.”

Esse anúncio da Fallon para o Citibank tem redação de Leandro Lourenção e direção de arte de Edinaldo Cebolinha Fernandes. A direção de criação é do espetacular Eugênio Mohallem.

Celebridade na propaganda ainda é uma boa estratégia de vendas?

É, e sempre será. Desde que observados princípios básicos, como pertinência, credibilidade e afinidade da pessoa famosa com a marca anunciada. A questão é simples, mais do que dar visibilidade à empresa, a celebridade promove consentimento social. E isso, todo mundo procura: aprovação e reconhecimento. A Nike, por exemplo, começou a sua história de êxito associando à sua marca a atletas famosos.

 Na época em que eu era redator na Etco (depois Etco Ogilvy) e criava para o Magazine Luiza, utilizei esse expediente várias vezes: Alexandre Borges e Giovanna Antonelli anunciaram o magazineluiza.com para a cidade de São Paulo; Cecília Dassi e Bruna Marquezine protagonizaram comerciais para o Dia das Crianças e Renato Aragão estrelou campanhas de Natal. Isso sem falar dos comercias com o Faustão.

Todas as ações foram um sucesso. Sucesso que deve estar sendo repetido hoje com Anderson Silva na promoção Vale Tudo. A escolha foi muito feliz: carismático e vencedor, ele agrega inúmeros atributos positivos para a marca. Além disso, a campanha é boa, criativa. Pré-requisito fundamental, porque só presença de uma personalidade não é garantia de repercussão e sucesso, é preciso contextualizá-la, criar identificação e surpreender o consumidor. Sempre, sempre que possível.

O discurso demonstrativo, segundo Aristóteles

Os dois anúncios acima são exemplos fantásticos do uso do discurso demonstrativo na propaganda. Suas histórias envolvem o leitor, levando à reflexão a partir de um conceito poderoso: “Se uma página o faz pensar, imagine um livro.”

No livro Razão e Sensibilidade no Texto Publicitário, Carrascoza explica mais sobre esse tipo de discurso, suas características, usos e vantagens. Veja alguns trechos:

“O discurso demonstrativo ou epidíctico é voltado para o elogio ou a censura.

É um discurso que visa persuadir, já que, se em primeira instância faz a apologia do produto, em última o faz para aconselhar o auditório a experimentá-lo.

É adotado preferencialmente para defender valores tradicionais, valores já aceitos, que não suscitam polêmica.

A maior parte dos anúncios concebidos sob esse formato é de produtos já há muito conhecidos do público, ou de marcas absolutas – que dominam seu segmento e estão no top of mind. É preferido pelos redatores quando a mensagem se destina ao um grupo de elite.

Cumpre um objetivo mais de cunho institucional.

Ou em casos em que os elementos persuasivos racionais venham se mostrando inadequados.

Ou mesmo em anúncios em que haja pouco a se dizer sobre o funcionamento, as vantagens e a indispensabilidade do produto ou serviço anunciado (seus valores tradicionais).

Assume o formato de narrativas verbais, semelhantes a fábulas, crônicas ou contos.

Busca influenciar o público contando histórias. É nessa maneira indireta que está a força da sua carga suasória. Como tão bem apontou o escritor Jorge Luis Borges, ‘qualquer coisa sugerida é bem mais eficaz do que qualquer coisa apregoada.’

O destinatário tem a impressão, lendo um anúncio desse tipo, de estar diante de um slice of life, um instantâneo da vida cotidiana, que poderia ser a sua própria.”
Percebeu, galera, como a busca para conquistar o público-alvo é feito aqui também por meio da emoção, do humor, do divertimento lúdico?