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Raul Otuzi

ideias que inspiram

Tempos líquidos ou tempos gasosos. Que tempos vivemos?

Zygmunt Bauman, o filósofo polonês que faleceu há poucas semanas, nos deixou um importante legado analisando a sociedade contemporânea. Era um observador crítico, preciso e mordaz.

Uma de suas teses mais famosas é essa: “vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar”. Os tempos são líquidos porque tudo muda rápido, rapidamente. Nada é feito para ser definitivo, sólido. Desse pensamento e estilo de vida resultam, entre outros aspectos, a obsessão pelo corpo perfeito, a reverência às pessoas famosas, a paranoia com segurança e até a instabilidade dos relacionamentos amorosos. É um mundo de incertezas, que toma várias formas. Líquido. Que metáfora! Que explicação.

No entanto, para efeito de reflexão, me permita discordar um pouco. Bauman, me perdoe, mas terei a ousadia de ir além na crueza de sua observação. É um pensamento diferente, seguindo a mesma linha.

Entendo que vivemos tempos gasosos. Sim, as coisas não estão apenas tomando novas formas, não são como uma onda: “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. Muitas coisas estão simplesmente se dissipando. Pá puff. Empresas. Empregos. Estabilidade. Tolerância. Ética. Convicções. Crenças. Certezas.

É um exagero? É pessimismo? É para refletirmos, como alertei acima.

Veja, por exemplo, o que está acontecendo com as nossas lembranças. A nossa memória está reduzida a um acessório de luxo. Não precisamos mais dela, por isso não exercitamos mais o ato de recordar e reconhecer. Não é mais necessário gastar energia para arquivarmos conhecimento, sentimentos, momentos (ou seja lá o que for), em nossa cabeça e coração. Temos o google, temos fotos, temos vídeos aos borbotões para fazer esse papel.

Penso que vivemos tempos gasosos porque deixamos o nosso dia a dia se esvanecer em um piscar de olhos. Porque a nossa vida se dissipa em um passe de mágica enquanto estamos envoltos com a tecnologia, com nosso próprio umbigo, com nossa zona de conforto. Vivemos tempos gasosos. Cortina de fumaça. Tempos nebulosos.

Os 5 conselhos mais importantes de Stephen King para escritores

O site Homo Literatus traz 22 conselhos de Stephen King, o mestre do horror mundial, para escritores. As dicas estão no livro On Writing. Os que mais têm funcionado para mim são esses:

1. Pare de assistir televisão. Ao invés disso, leia o quanto for possível

Elementar. Se você quer ser um escritor, precisa ter matéria-prima, precisa se alimentar de boas ideias, referências e estilos. Eu tenho lido um livro por semana e quero mais. Sinto que meus textos se tornaram mais fluidos.

2. Escreva primeiramente para si mesmo

Escreva para você, para saciar sua vontade de se expressar, porque isso te traz prazer. King: “Eu fiz pelo puro prazer. Se você pode escrever por prazer, pode fazer isso para sempre”. Concordo. Toda vez que escrevi para tentar agradar os outros (ou por pressão) não deu certo.

3. Leva sua escrita a sério

Escreva por prazer, mas escreva sério. Isso significa que é necessário ser exigente com a qualidade. Não basta escrever, tem que achar a melhor forma de comunicar. Muitas vezes, chego a reescrever mais de dez vezes uma única frase.

4. Aprenda a arte da descrição

É fundamental visualizar a experiência que você quer proporcionar a quem lê. “A descrição começa na imaginação de quem escreve, mas deve terminar na de quem lê”, diz King. A chave para uma boa descrição é a clareza, tanto na observação quanto na escrita. Use imagens limpas e vocabulário simples para não cansar quem lê. Levo esse conselho à risca.

5. Escreva a cada dia

Stephen King: “assim que começo um projeto, eu não paro e não desacelero a menos que eu absolutamente precise. Se eu não escrevo todo dia a personagem começa a mofar em minha mente… começo a perder meu controle sobre o enredo e o ritmo”. É isso. Aqui não tenho nada a acrescentar, a não ser: constância preenche páginas e escreve livros

A arte de produzir efeito sem causa – resenha

Sou fã de Lourenço Mutarelli. O livro “O Cheiro do Ralo” é fantástico e me provocou náuseas e entusiasmo. Leia, caso ainda não o fez. É imperdível.
Com “A Arte de Produzir Efeito sem Causa”, Mutarelli mergulha novamente no tédio e no vazio existencial. Mas, dessa vez, sem o mesmo brilhantismo. Mesmo assim, vale a pena conferir.
O personagem principal é Junior, um cara de 40 e poucos anos que volta a morar com pai depois de perder a mulher e o emprego. Sem grana e sem vontade nenhuma de dar a volta por cima, Junior cai em uma rotina alcoólica que o deixa mais confuso e debilitado. Apesar disso, a sua relação com o pai é amistosa, sem grandes conflitos. Já com Bruna, a jovem bonita e inquilina da casa, a relação é um pouco conturbada.
Junior sente atração por ela, mas não sabe direito o que fazer, até porque com o passar dos dias, ele vai perdendo cada vez mais o prumo, se distanciando da lucidez, abraçando a loucura. É um retrato da desintegração do indivíduo, que de uma hora para outra pode se desmantelar, basta um passo em falso.
A narrativa é árida, tensa, criada para transmitir um niilismo sufocante. E sufoca mesmo. Tanto que sinto falta de um pouco de ironia, de um mínimo de humor que abrande a história. Penso que Mutarelli costurou de propósito todas as cenas nesse clima sombrio. Sua intenção é esganar.
No mais, aprecio bastante a linguagem crua e as frases curtas do autor. As referências ao HQ, ao cinema e ao Kafka estão todas ali. É muito bom, sem precisar ser brilhante. Como eu disse, sou fã do cara.

O processo criativo da visão de um chef

Da série Gênese – onde nasce a criatividade. Rodolfo de Santis, chef e sócio do restaurante Nino Cucina fala sobre criatividade. Via mmonline.

Adidas. Break Free.

Aquele filme que é emoção do início ao fim. Que não precisa de palavras. Apenas palmas.

Viva a diversidade

As campanhas emocionais estão em alta. Um dos destaques do ano foi a Airbnb encorajando a aceitação e a diversidade.

“Há 24 rostos que representam apenas uma pequena parte da diversidade que temos na plataforma”, disse Airbnb CMO Jonathan Mildenhall em uma entrevista para a Adweek entrevista. “O poder do filme está nos rostos, é muito mais difícil negar a alguém enquanto os olhamos nos olhos”.

O melhor anúncio de 2016, by Adweek

O melhor anúncio de 2016  dramatiza a solidão, a dor e o sacrifício de Michael Phelps longe dos holofotes, preparando-se para os Jogos Olímpicos de 2016.

Criado pela Droga5 para Under Armour, “The Last Goodbye” mostra cenas incrivelmente plásticas de Phelps se dedicando ao máximo, ao ponto de vomitar. A fotografia, a música, os enquadramentos, os movimentos de câmera, o recorte da luz… tudo é de uma beleza visceral.

“É o que você faz no escuro que coloca você na luz”, diz o slogan no fim. O cara não é o cara por acaso. Muito foda!

#ruleyourself

Campanha Ministério dos Transportes

Olha, eu gosto do filme da campanha. Gosto mesmo. Acho que tem um ponto de virada impactante e coloca o dedo na ferida: negligência mata.

O problema, ao meu ver, são as peças gráficas/mobiliário urbano. Elas causam dúvidas, são esquisitas. A mulher que resgata animais nas ruas pode matar porque está resgatando o animal nas ruas? O melhor aluno da sala pode matar porque pode ter um surto do nada e entrar na escola com uma metralhadora?

É, penso que agência teria que mais cuidado na escolha das personagens e situações e explorar/destacar mais o conceito: “GENTE BOA TAMBÉM PODE MATAR”.

Bem, eles alertaram para a negligência, mas foram negligentes aí. Não foram, não?

10 tendências para o marketing digital em 2017

Fiz uma compilação das principais tendências que tenho lido em diversos sites especializados, blogs de publicidade, empresas de marketing digital, além de publicações estrangeiras. Algumas são óbvias, outras nem tanto. Vale ficar por dentro.

1. Dispositivos Móveis

A consolidação é total. Não tem mais volta. Mais da metade dos acessos de todos os sites do mundo acontecem via dispositivos móveis. Dessa forma, qualquer estratégia de marketing digital precisa estar focada neste perfil de público. O que isso muda? Design responsivo, sites com otimização do tempo de carregamento, fontes maiores, só para começar.

2. Publicidade Nativa

A publicidade nativa (native advertising) dará as cartas. Com o uso crescente de ad blockers (extensões de browser que bloqueiam publicidade), a publicidade nativa é vista é a alternativa mais inteligente para as empresas falarem com o público-alvo. Um anúncio nativo é um anúncio que se harmoniza com o seu ambiente, com as mesmas fontes e cores utilizadas no editorial, parecendo fazer parte do site em que está a ser exibido. Por isso, os ad blockers não conseguem identificá-lo. Ainda.

3. Content Marketing

Content marketing (marketing de conteúdos) significa criar conteúdo atrativo para as pessoas se interessarem pelo seu negócio. Como? Pode ser na forma de conteúdo educacional ou de entretenimento. O objetivo é fornecer informação de valor ao seu público para então conseguir sua atenção, compra e fidelidade. A conclusão é simples: empurrar produtos e serviços a toda a hora não funciona. É necessário transmitir conteúdo às pessoas, para que confiem em nós, para nos estabelecermos como experts e eventualmente vender mais facilmente produtos ou serviços.

4. Inbound Marketing

O marketing de permissão, como também é conhecido, é uma solução inteligente para iniciar o processo de fidelização e vendas em geral. Em vez de ir até o cliente, você cria um ecossistema para que ele venha até você. Isso faz com que as taxas de conversão sejam muito maiores.

5. Realidade Virtual Aumentada

A realidade virtual tem sido um sonho dos entusiastas de tecnologia e de jogos há muitos anos, mas só agora chegamos a avanços sérios que permitem tornar esta tecnologia viável para as massas. Entrámos na era da tecnologia virtual, desde a realidade virtual que se estende aos video-jogos até ao Oculus VR, uma empresa comprada pelo Facebook especializada em realidade virtual.

6. Conteúdo com Data de Validade

Táticas tradicionais de marketing estão dando cada vez menos resultados. A rede disponibiliza uma quantidade de informação tão absurda que para ganhar a atenção do consumidor está bem complicado. Por isso, o conteúdo que desaparece em 24h acabou sendo uma alternativa que deu certo. Uma  certa dose de tensão com ansiedade é gerada já que precisamos assistir tudo hoje! E o melhor nada fica armazenado! O Snapchat veio para ficar, o Instagram copiou e a tendência continua em 2017.

7. Transmissões de Vídeo ao Vivo

Meerkat foi um dos primeiros apps a trabalhar com os vídeos ao vivo, vieram então o famoso Periscope do Twitter, o Facebook Live e agora o Instagram Live. As histórias que ficam no ar por apenas 24 horas já não são suficientes: as transmissões ao vivo são uma nova e ótima maneira de engajar a sua audiência. Confiabilidade e autenticidade são a chave, afinal o conteúdo ao vivo não é editado, nem manipulado. Talvez por isso o Messenger seja mais popular com alguns utilizadores do que o e-mail, por ser instantâneo.

8. O Desafio da Audiência Orgânica

A fórmula era simples: um bom conteúdo atrai likes e seguidores, mas estes tempos simplórios acabaram. Facebook e Instagram acabaram com as timelines cronológicas e agora você tem que sacar o cartão de crédito se quiser aparecer até mesmo para seus seguidores. É uma realidade que poucas empresas estão aceitando. Por quê? muito conteúdo, pouco espaço e muitas empresas lucrando com vendas em mídias sociais. Essa é uma fórmula simplificada que o Face divulga de como o seu algoritmo seleciona as postagens da timeline.

9. Consolidação dos Social Influencers

Influenciadores digitais são os Intagrammers, Youtubers e Bloggers. São as novas celebridades e construíram sua audiência baseados em conteúdo autêntico e de grande proximidade com a realidade da audiência. Em 2017 o uso de influenciadores como meio de atingir o público-alvo continua com força total e o desafio das empresas é saber identificar seus nichos para escolher quem será o melhor porta-voz para a sua marca.

10. As Mídias Sociais na Construção de uma Economia de Confiança

O Uber nos permite dar notas aos motoristas e aos motoristas nos avaliar. Um ótimo atendimento e o motorista cresce no plano de carreira. Beba demais, incomode o motorista volte para casa a pé da próxima vez. Somos a geração Uber, AirBnb e Facebook. Compartilhamos opiniões, reclamações e elogios e nossos negócios tem que ter a transparência como princípio norteador. Em 2017 aposte nisso.

Principais fontes:
goo.gl/aHZJs7
goo.gl/pWThq7
goo.gl/5nzCTP

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